Posts

O atalho

O preguiçoso trabalha duas vezes

Eu tenho anos de experiência com esse ditado. Escuto ele desde criança. A verdade é que eu sou sim preguiçoso. Não me entenda mal. A preguiça tem seus benefícios. Ela te ensina algumas lições que você não aprenderia de outra forma. Ela te motiva a resolver problemas que ninguém mais resolveria. Mas em demasia ela te paralisa e te atrasa.

Eu sempre tive resistência com trabalhos repetitivos. A repetição é o meu maior inimigo. Quando eu me deparo com um trabalho assim, é fácil procrastinar e me descuidar. Lavar a louça. Arrumar a cama. Fazer o dever de casa. Regar o jardim. Para lidar com isso sem perder a sanidade, eu busquei desde cedo focar no que realmente não pode ser ignorado e eliminar todo o resto.

Minhas primeiras experiências profissionais foram em imobiliárias. Lá não era diferente. O trabalho repetitivo era o mais desafiador. Mas como as consequências da inação eram diferentes, eu comecei a achar formas criativas de ser preguiçoso. Eu criava macros no Excel e Word para fazer o trabalho repetitivo para mim. Eu criava esquemas complexos (para uma imobiliária) de extração de dados para produzir relatórios de controle. E criava padronizações e templates para produzir documentos de vistoria e afins. Era rápido produzir algo de qualidade e a cada iteração eu refinava meu “sistema” para produzir melhores resultados.

Quando eu cheguei na indústria tecnológica eu já tinha mestrado em preguiça. Minha cabeça já pensava nesses padrões, templates, sistemas, frameworks. Era fácil ser produtivo sem muito esforço. Era mais fácil ainda criar soluções pra problemas que ninguém nem enxergava. Como uma tarefa que sempre leva uma hora para ser concluída. Ou um relatório que precisa da coleta de dados de múltiplos sistemas diferentes. Automatizar esforços e simplificar processos já era minha segunda natureza e eu capitalizei bastante nisso.

Mas tudo em excesso é veneno. Na minha vida pessoal eu me tornei vítima da minha própria preguiça. Algumas atividades são repetitivas por natureza. Não há como eliminar algo sem comprometer o propósito. Fazer exercícios. Aprender uma nova habilidade. Manter uma relação. Abrir um negócio. Nesses casos, não há atalho. A repetição é a ação. Delegar a ação a algo ou alguém prejudica os resultados. A preguiça que sugere caminhos mais curtos é a mesma que torna a jornada mais longa.

Felizmente não é necessário aprender nada novo. A única coisa a fazer é reafirmar o foco e ignorar a preguiça. Um passo de cada vez.