Uma folha em branco não está vazia. Ela está cheia de potencial.
Eu esqueço disso o tempo todo. Eu planejo algo para fazer, a folha em branco fica me encarando, e o velho reflexo aparece, aquele que lê todas essas possibilidades como pressão, como prova de que eu não tenho nada, não sei de nada, não sou de nada. Por anos eu tratei esse vazio como um problema pra resolver o mais rápido possível.
Hoje vejo que o vazio não é um problema. É tudo que ainda não aconteceu, cada direção ainda aberta, nada certo, nada descartado. Em outras palavras, é apenas inocência. O estado de não saber. O estado do aprendiz. O estado da criança.
Existe um tipo de pessoa que vive assim de propósito. Sem grandes preocupações, seguindo em frente sem precisar saber o que tem na próxima esquina. De fora parece ingenuidade. Não é. É mais corajoso dar o passo pro desconhecido e receber ele com alegria do que ficar em casa fazendo uma lista de tudo que pode dar errado. Você nunca sabe de verdade o que vem pela frente, e isso não é uma ameaça. É o exato oposto. Qualquer coisa pode acontecer, e as oportunidades estão aí, espalhadas, esperando alguém curioso o suficiente para descobri-las.